Um problema que nunca tivemos

“Sinto minha casa tremer quando os caminhões passam”, Margarida Ferrari. (Foto: Tainara Torres/Jornal A Sirene)

Por Euda Márcia de Souza e Margarida Maria de Andrade Pereira Ferrari

Com o apoio de Larissa Pinto e Tainara Torres

Com a chegada das empresas enviadas pela Fundação Renova/Samarco, há mais de um ano, e de suas atividades de manejo de rejeito, o dia a dia da cidade de Rio Doce foi modificado. Desde então, os(as) moradores(as) convivem com rachaduras e danos nas estruturas de suas casas, um problema parecido com o que acontece na cidade de Barra Longa (veja aqui e também aqui), e que, da mesma forma, foi causado pelo trânsito intenso de veículos pesados no município.

A situação da minha casa ficou precária, as telhas começaram a deslizar, a cair. A casa é antiga, tem 41 anos que eu moro aqui, mas a primeira vez que eu fiz reforma foi agora. Eu tive que fazer um empréstimo e, até o dia de hoje, eu pago. E é muito difícil, porque diminui bem o meu salário. Meu marido morreu triste com isso. A gente sabe que empréstimo é algo que dorme e acorda com a gente, e eu durmo com a preocupação desse empréstimo.

Margarida Maria Ferrari, moradora de Rio Doce

“A minha casa é velha, mas não tinha essas rachaduras. É muito caminhão, essas coisas pesadas que passam por aqui, então rachou. O moço tem uma loja aqui do lado, depois que tiraram a placa [da loja], eu vi que tem uma rachadura grande lá. Quando passam muitos carros, a gente sente aquele baque dentro de casa. Com o tempo, as telhas vão descendo e eu penso que, a qualquer hora, elas podem cair na cabeça de alguém. Dá goteira dentro de casa e tudo.”

Euda Márcia de Souza, moradora de Rio Doce

Os buracos no telhado da casa de Euda apareceram depois do trânsito intenso de caminhões. (Foto: Tainara Torres/Jornal A Sirene)

Tem várias casas aqui do centro que foram atingidas, inclusive, veio uma empresa, que eu não me lembro mais, e tirou retratos, mas eu não tive acesso a essas fotos, a casa estava mais decadente ainda. A frente, então, estava toda esburacada.

Margarida Maria Ferrari, moradora de Rio Doce

Para diminuir a circulação de veículos de grande porte no município, a prefeitura de Rio Doce proibiu o trânsito de caminhões pesados na área central. Mesmo que o número tenha diminuído, o transtorno que esse período de intensa movimentação causou ainda não foi reparado, pois, quando a medida foi tomada, várias moradias já estavam com rachaduras visíveis nas paredes, e que comprometiam todo o imóvel.

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