Papo de cumadres: o jogo da Samarco

Texto Sérgio Papagaio

Arte: Miriã Bonifácio

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Consebida e Clemilda estão divididas em relação a assessoria técnica a ser implantada na cidade de Barra Longa.

Clemilda diz: cumade a moça da renova diz que agora vai pagá.
– Isso ês diz todo dia, mas é pra enganá a maiuria, prus bobu num querê assessuria. Diz que vai pagá um de cada vez, se quizesse pagá, já teria pagadu nesse um anu e quatro mês.
– Uai cumade, parece um jogo de xadrez.
– É mesmo, eu du nosso ladu, ocê du ladu dês.
Eu querenu a casa que a lama derrubô pra com meus fio morá, ocê querenu o dinheiru quês diz que vai pagá.
Eu querenu meu terrenu nu reassentamentu pra prantá meus alimentu, ocê qué o dinheiru quês diz que vai pagá nesse momentu.
Eu querenu assessuria, ocê o processo individuá. Sés num que pagá pra nós tudu juntu, procê sozinha quês vai pagá?
Se nós num se juntá agora e pelus nossus direitu lutá, sozinha dispois a nossa boca vai margá, pois sés passa a pelna num monte, nun só ês nun vai passá?
Cumadre óia só u que eu vô falá. Tudu quês fala que é bão pra nós, só servi pra nus rebentá, pois verdade mês, eu nunca vi ês falá.
E sés tivessi boa tenção, era só metê a mão nu bolsu e pagá a população.
Ês sempre inventa um pobrema quês diz que tá atrapaianu ês  pagá, mas é barda de todo mal pagadô, pô a culpa num otru sinhô.

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