Papo de Cumadres: Quanto custa as minhas coisas que a lama estragou?

Por Sérgio Papagaio

Foto: Daniela Felix

Consebida e Clemilda se sentem roubadas, com o valor da indenização proposto pela Renova/Samarco para sanar a situação dos atingidos pela Barragem de Fundão.

– Consebida diz: Cumadre, veja só que tentação, já vem de nouvo a Renova com a tár indenização.

– E querem pagar mixaria, sem nus perguntá o que os nossos trem valia.

– Cê viu que mardição, oito reá por um pé de limão, duzentus e pouco por todo tempo que a terra ia dá fêjão.

– Dá pra acreditá não.    

– Cumadre, minha fia de Deus, o quilu de limão lá nu mercadu tava sete reá e eles querenu pagá por um pé que nunca mais vai dá, apenas o valô de um quilu e só mais um reá.

– Pois agora é eu qui vô falá, pru feijão vortá a dá, vai gastá da natureza muita vontade de a terra cunsertá, dispois que a Samarcu trouxe o deserto pru ladu de cá.

– Ês tão querenu pagá duzentus e pouco por todu esse tempu sem colhê fejão?

– É issu u mais sufridu,  todu dia nós é atingidu.

– Cê passava sempre lém casa, fala veudade, num isconde não, argum dia cê viu uma praca vendê este pé de limão? Ou na roça de fejão, ô em quarquer prantação?

– U que me faz muito már, parece que é outra barrage a istorá, é eles botanu preçu nu meu pomar. Foi quem qui falô qui é este u valô?

– Cumadre, veja comu ês nus faz senti dor, quem tá botanu u preçu é quem u crime  causô, e diz que prá pô este preçu a justiça amparô.

– Cuju que tem uma coisa pur conta, e eu vô falá pro cês, a justiça muitas das  vêiz é usada prá se cometê crime dentru da lei.

– Issu faiz nóis atingidu outra vêiz.

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