Papo de cumadres: direito à moradia

(Foto: Tainara Torres/Jornal A Sirene)

Por Sérgio Papagaio

– Cumadre Clemilda eu tô muito percupada.

– Apostu que sua percupação tem menção com o crime da barrage de Fundão.

– Pois então, a fundação fez us laudu das casa que sofreram trepidação, disseram que as trinca, argumas delas cabe até a minha mão, que num é culpa dês não.

– Cumade, se eu te contá ocê num acridita não, du meu quarto sentada na cama eu consigu óia o meu netu Juão, e assisti pela rachadura da parede a nossa televisão.

– Disseram sem vergonha na cara e com muita contradição, que us probrema de nossas casas, é de má construção.

– Disseram também cumade que era mau usu e má conservação. Óia que patifaria, falaru também  que foi cunstruída sem projetu de engenharia.

– Pois é, em Barra Longa tem casa de trezentus anu, que num tinha trinca e que agora apesar de rachada ainda tá de pé. As nossas casas foram feitas pra nóis morá, num é pra guentá aquela lamaiada e nem caminhão com cinqüenta tunelada.

– Cumade, tô aqui pensanu se tem casas com mais de trezentus anu que foi cunstruída com u jeito e materiá que tinha, eu num sô engenheira mas vô afirmá, as nossas casas tão só trincanu  mais e a barrage que é muitu mais nova já foi logu rombanu.

– Óia que as barrage tinha engenharia e todu tipo de visturia.

– Cumade minina, acá, Barra Longa guentô u tempu, as enchente, a lama que é treis vêz mais pesada que a água, us caminhão com cinquenta tunelada e tá só trincada. Se fosse nóis de Barra Longa que tivesse cunstruído a barrage ela num tava istorada.

– Aí sim cumadre, nos pode falá, a barrage foi mal construída, mal usada e mal conservada ô intão num tava istorada.  

– Intão, du que vale toda essa engenheirada?

– Nós acaba sem conhecimento de engenharia e sem dinheiro cunstruindo miô que os engenhero.

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