Papo de cumadres

Por Sérgio Papagaio

Foto Wandeir Campos 

Consebida e Clemilda estão muito desiludidas com a demora para reconhecer os direitos dos(as) atingidos(as), mas não perdem a coragem de lutar.

– Cumadre, eu fechu u oio e veju direitin a hora que a lama chegô, e eu abru u oio e veju: quase nada mudô. Treis anus parece treis dias pra quem ainda sente tanta agunia.

– São treis anus de enrolação e quase niuma decisão.

– As casas que tava rachanu, mesmu ês argumas cunsertanu, ainda continuam rachanu.

– E os terrenu cheio de lama tão tudu do mesmo jeitu: por cima tem uns matu, por baxu é tudu rejeitu.

– A saúde, nossu bem mais preciosu, a Renova tira de dentru du povu de quarquer jeitu, e a Vale e BHP tampa u buracu com rejeitu.

– E as pessoa que renda perderu, muitas nem cartão receberu.

– U reassentamentu é um sufrimentu: as pessoas fora de suas casas esperandu confirmamentu de quandu a renova vai fazer as casas pamode abrigar seus rebentu.

– Eu veju as baixada pela lama tomada de onde saía u sustento do roceiro. Olhandu pra dentru du riu… cheio da mesma lama que desempregô us garimpeiru.

– Me dá uma tristeza danada de sabê que a mesma lama que dezenove vida levô i uma num dexô nascer trouxe contrariedade e paxão que pode mais umas tanta matá. E a contaminação por metá ainda pode atrapaiá outras vida chegá.    

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