Dois Vales, o mesmo crime, da mesma vale

Ilustração: Larissa Pinto

As duas comadres, Consebida e Clemilda, tiveram uma alegria muito grande por receber em Barra Longa os(as) atingidos(as) pelo crime da Vale, em Brumadinho. Apesar da dor, puderam sorrir mesmo com lágrimas nos olhos.

Por Sérgio Papagaio


– Cumadre Clemilda, eu me peguei pensanu na dor deste povo, desta outra bacia, onde a barrage da Vale istorô levanu tantas vida.

– Desde quandu a barrage da Vale foi istoranu que eu venhu pensanu, nós tá só se dananu é muito crime formadu e outros já se formandu. Óia em Barão de Cocais tem uma barrage que tá rebentanu, e antes mesmu de rebentá a vida dus atigidus ela já fez piorá.

– Agora eu vou ti falá apesá da tristeza que há, eu senti muita aligria de recebê em Barra Longa as visita du povu da outra bacia, onde a mesma Vale novamente pixou com regeitu os patrimoniu mais antigus que há, a terra e u sugeitu.

– Cumade Consebida é tudu du mesmu jeitu, foram atingidus pelu rejeitu e são tratadu sem u menor respeitu, quandu iscutu ês de Brumadin queixá me faz alembrá du crimi de cá, se eu fechá meus ôio e fô levada pra quarquer lugá das duas bacia e iscutá as queixa dus atingidu eu não saberei dizê onde tô, acá us crime é tão paricidu, e us pobre atingidu das duas bacia, tão sofrenu com os mesmu bandidu.

– Este incontru em Barra Longa tem que sirvi para nós uni, pois as diferença que cada atigindu traz seja na cor da pele ou na religião. Negrus, Indius, brancos de Deus, de Oxalá ou de Tupã, faz de nós tudu irmãos e irmãs, e nu final du mixidu, somus todus pelu memu crime atingidus.

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