Papo de Cumadres: quarentena

Consebida e Clemilda estão aperriadas por estarem isoladas, sentindo se cumprindo pena, com a tal quarentena.

Por Sérgio Papagaio

– Cumadre Clemilda, cê viu que arrumação u home da televisão mandô um recadu pra toda nação, cês fica em casa, num sai na rua não, pamode ocêis num pegá contaminação.

– Agora cê presta atenção minha cumade, que dor nu coração, nois morava nu matu longe desta agromeração, já vivia u tempo quase todo em isolação, num cantinho que o pai du céu fez pra nois com suas próprias mão, u que separava nois duas e nossas famia era a barra dum ribeirão, nera duença não.

– Pois , se a mardita barrage de fundão num tivesse jogadu nossas casa nu chão, nois ia passa a pandemia du jeitu que nois vivia, bem pertu uma da outra, cada uma dum ladu du riberão, sem se percupá com a tar contaminação.

– Ês acha que nois é bandidu vira mexe nois tá presa sem crimi tê cumitidu,

– Este é meu maior castigu, de sabê que us responsavis pelu rompimentu e por todu este turmentu, é us ricu da nação, que vai lá fora de avião buscá duença e molte pra toda população e põe nois num cemiteriu ou na prisão.

– Cumadre minha senhora cada hora parece uma coisa nova que mexe na firida veia armentando sem piedade esta mardade, apresentandu a cada tempu uma situação, mas todas elas são de dor e ninhuma de libertação.

– É cumadre nois tem que tê fé e seguir as orientação pois o vírus ataca todu mundu, sem fazer distição, e quandu chegá o fim de tudu istu, nois e tudu enquantu for atingidu priciza ta vivu, pra na vida, dá continuação.

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