Papo de Cumadres: a morte levou Dorinha

Consebida e Clemilda estão desacalentadas com a morte da comadre Dorinha, mais uma pessoa atingida que partiu antes da hora combinada.

– Cumadre Clemilda se dor fizesse barulhu hoje ninguém drumia nesta bacia.

– Cumpriendu, pois eu também sintu esta agunia de vê pauti, sem receber a devida indenização, Dorinha, a nossa cumadre  Maria, fia da Mãe Aparecida.

 – Foram praticamente 5 anu e Dorinha mais Bilu isperanu, eles da renova só maucanu prometenu mas nunca recuperanu.

 – É veudade, u teiadu da casa pinganu poi us maquinário que lá pelto da sua casa tava trabaianu também arredô as teia, e u teiadu ficô vazanu, a baixadinha cheia de lama, até u cavalu que num come aquela grama, da chacra teve que ir mudnu.

– Cumadre oia que dor danada a professora Dulce lá da UFOP disse que a lenha suja de lama que Dorinha usava pra substituir toda sua lenha que foi em bora com o rompimentu podia carsar duença e muitu sufrimentu.

– Eu num sô dotora nem tenhu cunhecimentu mas tenhu um forte pressentimentu, que a fumaça daquela lenha iscreveu um novu combinadu e com issu Dorinha partiu mais cedu du que já tava riscadu. 

– É muita sicura junta com esta enorme tristeza, a terra pelo tempu sofre recequida e, pela Renova isquecida, se Deus mandassi chuva agora e moiasse a terra seca, as semente adormicidas acordaria em flores, mas cumadre Dorinha num floresceria não, pois a veudade é que Dorinha foi e sempre será flor nu fundu dus nossu coração.

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