E agora, para onde vamos?

Na edição anterior, trouxemos as divulgações dos estudos sobre a contaminação do ar, da água e do solo nas regiões atingidas pela lama de rejeitos da Samarco, Vale e BHP Billiton. Agora é o momento de cobrar das instâncias responsáveis pela saúde da população. A Fundação Renova/Samarco deve arcar com os custos que o município terá com as ações voltadas para a saúde, bem como se responsabilizar pela retirada da lama de rejeitos nos territórios, a fim de eliminar a exposição das pessoas ao risco. Por isso, a responsabilidade não se limita às mineradoras criminosas e deve ser cobrada também do município, do Estado e do Governo Federal. Lamentavelmente, a Fundação Renova/Samarco tem divulgado um vídeo no qual um profissional da saúde afirma não haver riscos à saúde da população atingida. Contraditoriamente, ainda em 2015, o mesmo profissional alertava, na mídia, para os perigos dos metais e de uma possível contaminação das áreas cobertas por lama tóxica. 

Por Carmen Ildes Rodrigues Fróes Asmus, Dulce Maria Pereira e Lineu Viana de Oliveira Ribeiro

Com o apoio de Juliana Carvalho

Além do atendimento da saúde, é preciso capacitar os profissionais para que eles saibam o que é níquel, o que é cádmio. Tem que ter uma articulação com a população, para tirar as dúvidas, para tirar as preocupações, para encaminhar os resultados. É preciso um programa para pensar isso. Um programa de atenção de vigilância da saúde dentro do SUS. 

Carmen Ildes Rodrigues Fróes Asmus, pesquisadora da AMBIOS, durante o lançamento da devolutiva dos estudos de contaminação

 

É muito importante entender que, se não há controle da contaminação, a gente não tem controle da dispersão da contaminação. Se você não faz controle, esse processo de bioacumulação vai aumentando. Então, por exemplo, os animais podem, de muitas formas, entrar em contato com esse ambiente contaminado. Qualquer pessoa pode, porque tem contaminação inclusive no ar. Então o problema é que um ambiente contaminado tem que ser controlado. E não controlar é crime. Por isso é que nós vamos viver um embate, vão tentar desqualificar todos os nossos trabalhos.

Dulce Maria Pereira, professora e pesquisadora da Universidade Federal de Ouro Preto

 

Esses estudos trouxeram uma gama importante de informações sobre questões relacionadas à saúde das pessoas e do ambiente, bem como fizeram recomendações relevantes ao setor de saúde, tais como: recuperação e monitoramento ambiental, necessidade de acompanhamento da saúde física e mental da população, melhoria do sistema de notificação e registro de informações no município e a nível estadual, treinamento específico e continuado dos agentes do setor de saúde, especificamente no trato com as populações atingidas, entre outras recomendações. 

Lineu Viana de Oliveira Ribeiro, assessor técnico da AEDAS, em coletiva de imprensa

 

As questões do sofrimento emocional não são para serem tratadas com remédio de psiquiatra. Esse deve ser o último recurso. O primeiro é usar formas de tratamento da terapêutica que existem, das mais diferentes ordens, que se adequem àquela pessoa. Tem pessoas que gostam da psicoterapia, tem outras que preferem atividades como o yoga. Tem várias formas de enfrentamento dessa questão do sofrimento emocional. Não é botar só médico e enfermeiro, a equipe precisa ser maior, melhor constituída. 

Carmen Ildes Rodrigues Fróes Asmus, pesquisadora da AMBIOS, durante o lançamento da devolutiva dos estudos de contaminação

 

Uma das possibilidades é assegurar o atendimento de saúde de qualidade dentro do SUS. Os próprios atingidos desenharam uma forma de atendimento. Eu acho que essa é uma projeção importante para o futuro, ter um atendimento específico, como tem o atendimento à saúde da mulher, da pessoa com determinadas necessidades especiais, do homem, ter também a saúde da pessoa atingida. Eu acho que isso é uma forma de você reduzir os impactos. Além disso, os atingidos decidiram, com consultores internacionais, que é possível e necessária a retirada da lama com resíduos. Eu acho que essa é uma medida muito importante. 

Dulce Maria Pereira, professora e pesquisadora da Universidade Federal de Ouro Preto

 

Ainda não há comentários

Os comentários estão fechados

CADASTRE-SE NA NEWSLETTER

Send this to a friend