Alerta sobre o Covid-19 para as comunidades atingidas

No dia 26 de fevereiro, o Ministério da Saúde confirmou o primeiro caso de Covid-19 no Brasil. A doença contagiosa é provocada por um novo tipo de vírus da família coronavírus, o Sars-Cov-2. Os sintomas da doença podem se manifestar de forma mais branda, muito parecidos com a gripe, ou de forma mais grave, o que pode causar síndrome respiratória aguda grave. A preocupação dos órgãos de saúde é que o Covid-19 sobrecarregue o sistema de saúde e faça com que as pessoas não recebam o acompanhamento necessário. Por isso, a recomendação é que se faça o distanciamento social, assim, a disseminação da doença torna-se menos perigosa.

Por Dulce Maria Pereira

Com o apoio de Júlia Militão e Wigde Arcangelo

A professora e pesquisadora da Universidade Federal de Ouro Preto, Dulce Maria Pereira, nos conta por que os(as) atingidos(as) precisam estar alertas nesse momento:

 

As populações atingidas estão dentro do grupo de risco, porque enfrentaram um trauma significativo. Uma parte tem diabetes, outras doenças que as incluem nos grupos de risco, além de estarem incluídas nos grupos de pessoas coletivamente depressivas por elevado trauma, muitas em estado de depressão, o que reduz a capacidade de imunidade. 

 Dulce Maria Pereira, professora e pesquisadora da Universidade Federal de Ouro Preto

 

Para ela, os(as) atingidos(as) devem ser pensados nas políticas públicas adotadas devido ao Covid-19:

 

É fundamental que essas pessoas sejam criteriosamente acompanhadas pela Atenção Primária.

As pessoas devem ser vacinadas imediatamente para a prevenção da gripe. O ciclo da gripe tem seu pico, que acontecerá justamente no período em que se prevê o pico de aumento e expansão da contaminação pelo coronavírus. Deve haver muito cuidado, precisão e agilidade nas vacinações.

Outra questão é a prevenção, que demanda planejamento do sistema público de saúde e é preciso que haja planejamento específico com garantia de teste para todas as pessoas atingidas. Elas podem ter tido contato direto ou indireto com pessoas que podem ser ou ter sido vetores do coronavírus. Se não quisermos ter vulnerabilização em massa das pessoas atingidas, é fundamental a organização do sistema de atenção primária nas áreas rurais e ribeirinhas.

Eu acrescento a questão econômica. É fundamental que as populações atingidas, que foram extraordinariamente pauperizadas, estejam no programa de apoio financeiro dos governos. Para isso, as secretarias de saúde dos municípios precisam encaminhar essa reivindicação. Há consenso, entre um conjunto de economistas, que todas as famílias atingidas devem receber, do governo, uma renda básica imediata. Também é recomendável que seja montada uma estrutura específica para atender às atingidas gestantes.

 Dulce Maria Pereira, professora e pesquisadora da Universidade Federal de Ouro Preto

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