Coronavírus e saúde mental

Por Aline Pacheco e Leonardo Silva (psicólogos da AEDAS, Assessoria Técnica dos atingidos de Barra Longa)

Todos os dias temos recebido um enorme volume de informações sobre a pandemia do coronavírus, sobre as precauções que devemos tomar e sobre as consequências para a saúde da população. Muito se fala sobre os cuidados físicos que devem ser tomados nesse cenário de pandemia. Nesse contexto, os cuidados com a saúde mental também são importantes.

Estamos vivendo o primeiro episódio, na história da humanidade, em que todo o mundo passa por uma pandemia e em que um terço da população está em isolamento. 

Alguns locais no mundo já passaram por situações de epidemia e essas experiências forneceram indicadores que demonstraram uma piora na situação de saúde mental da população nesses momentos.

Apesar de todas as pessoas se afetarem de alguma forma, nesse momento, existe uma grande variedade de reações e sentimentos que cada um pode ter.

Muitas pessoas podem se sentir sobrecarregadas, confusas ou muito desorientadas sobre o que está acontecendo. Elas podem se sentir em pânico, amedrontadas, extremamente tristes, ansiosas, anestesiadas ou insensíveis. Apesar disso, a maioria das pessoas se recupera bem dessa situação com o passar do tempo, especialmente se tiverem apoio e ajuda, que pode ser encontrado no autocuidado, em uma ligação para uma pessoa conhecida, ou quando se recorre aos canais de comunicação disponibilizados pelo serviço de saúde, por exemplo.

Para a população atingida, a pandemia agrava todas as incertezas que vivenciam desde 2015, em decorrência do crime do rompimento da barragem de Fundão, que causou a vivência de uma crise, aumento de vulnerabilidade, das desigualdades, do risco social, piora na saúde, perda de seus lares, incerteza sobre seus futuros.

Precisamos refletir sobre como os atingidos estão percebendo a instrução de “ficar em casa” diante da questão de terem sido arrancados delas e, até agora, não terem uma resposta satisfatória para poderem chamar outro lugar de lar. Como pensar em mais um risco invisível se ainda não têm certeza sobre a sua situação de saúde após o rompimento?

 

Atingidos pela mineração e, agora, atingidos pela pandemia.

O que podemos fazer para diminuir a dor psicológica e o sofrimento em busca de maior estabilidade emocional?

Primeiramente, devemos nos cuidar e cuidar de nós mesmos significa cuidar, também, da nossa sociedade. Impossível se proteger sem proteger quem está do seu lado. A solidariedade diminui os efeitos do isolamento.

 

O isolamento do nosso corpo não deve ser isolamento dos nossos afetos!

Precisamos estar informados, mas devemos evitar o excesso de informação, afinal, informação de menos causa ansiedade e informação demais causa angústia.

É importante resgatarmos o que fazíamos antes da pandemia e o que podemos continuar fazendo, estabelecer rotinas e formas de interação, repensar a forma como administrávamos nosso tempo e rever nossas prioridades.

As pessoas têm de estar bem com sua saúde mental, tranquilas para fazer as melhores escolhas e para planejar as suas vidas, afinal, é importante viver um dia de cada vez, porém com planejamento, pois a pandemia vai passar.

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