Mariana e Barra Longa na luta contra a Covid-19

Prefeituras informam o que tem sido feito para barrar o contágio por Covid-19 nas regiões. Atingidos(as) podem estar em grupos de risco por conta da vulnerabilidade emocional, porém ainda não foram pensadas ações específicas para esses grupos.

Por Juliana Carvalho, Sérgio Papagaio e Wigde Arcangelo

O primeiro caso de coronavírus no Brasil foi em fevereiro. De lá para cá, conforme os dados oficiais, os casos têm aumentado exponencialmente e, considerando um número elevado de subnotificações, a realidade pode ser ainda pior. Se, nos dois primeiros meses do ano, o país não parecia preocupado com um vírus que se acreditava estar tão distante, em pouco tempo, tudo mudou. 

Em Mariana, no dia 16 de março, a Prefeitura Municipal declarou situação de emergência em saúde pública devido à Covid-19, nome científico da doença causada pelo novo coronavírus, por meio do Decreto Municipal nº. 10.030. A declaração veio no mesmo dia do anúncio de três casos suspeitos da doença na cidade. No dia seguinte, a Prefeitura Municipal de Barra Longa também decretou estado de alerta e, até o fechamento desta edição (04 de maio), contava com nenhum caso suspeito e nenhuma confirmação ou óbito. Enquanto isso, Mariana possuía 18 casos confirmados,  quatro em investigação, uma morte suspeita e um óbito confirmado por Covid-19. Para saber os dados atualizados de Mariana, clique aqui. Para acompanhar os casos em Barra Longa, clique aqui.

No primeiro momento, foi criado o Comitê Gestor do Plano de Prevenção e Contingenciamento em Saúde – Covid-19. Esse grupo é formado por profissionais técnicos ligados diretamente à saúde e ao planejamento. A mudança é necessária, pois temos de nos adaptar diante dessa turbulência. Mariana foi a primeira cidade do interior de Minas a confirmar casos de Covid-19. Em razão disso, saímos à frente de vários outros municípios em relação ao combate à pandemia que assola não só nosso Estado e país, mas o mundo inteiro. Tivemos conversas sobre a flexibilidade do comércio local, mas entendemos que a prioridade é resguardar a saúde de nossos munícipes. No momento certo, retornaremos, de forma gradativa e segura, as atividades, mas sabemos que ainda não é o momento.

Danilo Brito, secretário municipal de Saúde de Mariana

Assim como Mariana, Barra Longa também criou um Comitê para pensar as ações de combate à Covid-19.

Assim que informado pela Regional de Saúde [Barra Longa e Mariana não fazem parte da mesma Regional], com os demais municípios, a administração municipal participou, com uma quantia de 15 mil reais, para a ampliação de 10 leitos de CTI (Centro de Terapia Intensiva) nos hospitais de Ponte Nova. Na sequência, o Departamento Municipal de Saúde criou um comitê municipal de crise e, a partir daí, as orientações foram dadas por meio de Decreto e as decisões foram tomadas sempre por reunião do comitê via videoconferência. As primeiras ações foram de montagem da barreira social, organização com os profissionais de saúde para estabelecer procedimentos no caso de pacientes contaminados e para pacientes que, mesmo contaminados, não necessitem de internação. Iniciou-se também o isolamento social, já no dia 20 pós-feriado de São José e permanece até o momento. Intensificou-se o serviço de informações à população através da rádio local e redes sociais do município.” 

Raquel Aparecida Gomes Gonçalves, secretária municipal de Saúde de Barra Longa

Na edição passada do Jornal A SIRENE, trouxemos uma matéria com a pesquisadora Dulce Maria Pereira, que nos disse que os(as) atingidos(as) estão dentro do grupo de risco, devido ao trauma sofrido. Perguntamos ao secretário de Mariana e à secretária de Barra Longa se os municípios têm pensado políticas de contenção à Covid-19 que englobem a população atingida. Segundo Raquel Aparecida Gomes Gonçalves:

Elaboramos um Plano de Contingência, em que estão todas as ações, protocolos e fluxograma da nossa unidade. Os atingidos já fizeram contato com a secretaria e se colocaram à disposição para o que precisar.

Raquel Aparecida Gomes Gonçalves, secretária municipal de Saúde de Barra Longa

Segundo Danilo Brito, na cidade de Mariana não foram criadas ações específicas pensando nos grupos de riscos:

Nosso foco é proteger a população como um todo. Esse vírus não escolhe quem irá infectar, esse mal é invisível. Todos devem tomar medidas de prevenção e se atentar às informações que são divulgadas nos meios oficiais da Prefeitura.

Danilo Brito, secretário municipal de Saúde de Mariana

O Jornal A SIRENE reforça, às comunidades atingidas, para que sigam as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), e que procurem lavar as mãos com frequência, evitem sair de casa e façam uso de máscara, que já é obrigatório na cidade de Mariana. Além disso, é importante estarem atentas às notícias falsas e não ingerir, de forma alguma, medicamentos sem prescrição médica, tais como remédios à base de cloroquina, ou desinfetantes e produtos de limpeza em geral.  

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