Apesar da lama, seguimos em frente

[vc_row][vc_column][vc_row_inner css=”.vc_custom_1511547325719{margin-bottom: 25px !important;}”][vc_column_inner][thb_image alignment=”center” image=”661″][/vc_column_inner][/vc_row_inner][thb_border][vc_column_text]“Não somos parasitas. Não estamos parados. O foco de nossa luta precisa ser a reconstrução, o que parece ser uma tarefa impossível. Acreditamos que a força do trabalho nos permitirá enfrentar esse dias de incertezas. Muitos continuam na lida do dia a dia, nas mais variadas atividades profissionais. Buscamos viver com dignidade demonstrando grande potencial para produzir em meio a tantas adversidades. A ação nos possibilita seguir em frente. Nossos esforços nos permitem sonhar.”

Angélica Peixoto, professora atingida de Paracatu de Baixo

[/vc_column_text][/thb_border][/vc_column][/vc_row][vc_row css=”.vc_custom_1511547568145{margin-top: 25px !important;}”][vc_column][vc_column_text]Por Angélica Peixoto, Keila Vardeli Fialho dos Santos, Joelma Aparecida de Souza e Paula Geralda Alves

Com apoio de Ana Clara Delella, Laura Oliveira, Tânia Scher, Vanessa Quinan (pesquisadores do Observatório C.A.F.É. – Observatório em Crítica, Formação e Ensino em Administração, coordenado pela professora Carol Maranhão) e Carlos Paranhos

Fotos: Ana Clara Delella e Ana Elisa Novais

“Deus deixou a gente sair disso com vida por um propósito: para lutar!”. Essa frase foi dita por Keila Vardeli Fialho dos Santos, de 34 anos, atingida de Bento Rodrigues, que, anterior ao rompimento, fabricava, com mais dez funcionários, a geléia de Pimenta Biquinho na comunidade, formando a Associação dos Hortifrutigranjeiros de Bento Rodrigues – AHOBERO. Apesar de ter conseguido dar continuidade à produção em Mariana, com atuais nove associados, ela desabafa: “o que a gente mais quer é voltar a trabalhar do jeito que era lá, desde a plantação até o produto final”.

Assim como Keila, Paula Geralda Alves, 38, e Joelma Aparecida de Souza, 27, também moradoras de Bento Rodrigues, usam o trabalho como instrumento de luta e resistência, não desistindo mesmo com as dificuldades enfrentadas no dia a dia.

“Lá no Bento eu já tinha minhas clientes. Chegou aqui em Mariana e ficou cada uma num lugar, daí eu fiquei desempregada e sem dinheiro pra comprar as coisas pra mim, aqui pra casa e pro meu filho João Pedro. Aderi essa coisa de cabeleireiro a domicílio”, diz Paula. Joelma tinha a lanchonete, “Cantinho de Minas”, onde produzia rosquinhas, bolos, pães e salgados.

“No início era um cômodo com espacinho para mesas, depois começou a crescer”, lembra, saudosa, do comércio que havia registrado há dois anos. Além disso, lá no Bento, conciliava o serviço autônomo com outra ocupação em uma empresa terceirizada.

Continuidade e independência

Com o rompimento da barragem, as atingidas passaram por dificuldades estruturais e financeiras. Keila, juntamente com a AHOBERO, precisou parar a produção da geléia por cinco meses, de novembro de 2015 a março de 2016, devido ao soterramento de 1.500 pés de pimenta.

Na época do desastre, Joelma estava grávida de oito meses, tirou licença do trabalho formal e, quando voltou, descobriu uma hérnia no umbigo, o que a fez se afastar por mais quatro meses. Logo depois foi demitida. Para tentar driblar a falta de dinheiro, intensificou a fabricação dos quitutes, mantendo o mesmo nome do estabelecimento. Além disso,  começou a trabalhar como faxineira para complementar a renda.

Já Paula, conseguiu reaver os clientes que tinha no Bento, e outros novos que fez em Mariana, através de estratégias criadas por ela em suas redes sociais. Tarefa difícil para quem agora precisa se preocupar com uma competitividade de mercado.

Profissionais dedicadas, as três mulheres, ainda não esquecem de seus papeis como atingidas. Por não terem horários fixos, conseguem adaptar a jornada de trabalho para participar de reuniões e opinar em momentos de decisão. “Ontem apareceu um cabelo e uma depilação, mas aí eu fui até a Câmara para ver como tão as coisas. Sempre quando tem reunião, eu gosto de ir, audiência também”, declara Paula.

Pouco a pouco, as trabalhadoras, junto a tantos outros atingidos, reconstroem suas vidas, independente das insuficientes ações de reparação feitas pela empresa causadora do dano. Isso destaca o esforço que elas empregam para terem seus direitos garantidos.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]