Da gratidão que as abelhas podem nos ensinar

[vc_row][vc_column][vc_column_text]Por Espedito Lucas Silva (Kaé)

Com o apoio de Larissa Helena e Miriã Bonifácio

Fotos: Ana Elisa Novais e Pexels

Kaé é morador de Bento Rodrigues e, hoje, como muitos atingidos e atingidas, vive, provisoriamente, no bairro Colina, em Mariana. Pai de quatro filhos, trabalha como entregador de cargas de carvão e complementa a renda da família com o serviço de apicultor. Pelo menos duas vezes por semana, precisa viajar até Fundão (a 70 km de Mariana) para tratar das abelhas e organizar a produção do mel em 40 colmeias. Uma tarefa difícil e, como vocês podem imaginar, mantida com muito esforço após o rompimento da barragem.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row css=”.vc_custom_1513086916597{margin-top: 25px !important;}”][vc_column width=”1/3″][/vc_column][vc_column width=”1/3″][thb_button caption=”LEIA TAMBÉM: Mãos que não querem parar” link=”https://issuu.com/jornalasirene/docs/asirene_ed5_agosto_issuu” icon=”undefined” target_blank=”true” size=”medium”][/vc_column][vc_column width=”1/3″][/vc_column][/vc_row][vc_row css=”.vc_custom_1513086933862{margin-top: 25px !important;}”][vc_column width=”2/3″][thb_border][vc_column_text]Em determinado momento da minha vida, antes daquele dia 5, eu precisei encontrar um jeito para conseguir dar conta de criar meus filhos. Fui para o “tudo ou nada”, comprei um caminhão para realizar entregas de cargas de carvão com o dinheiro de um empréstimo que fiz no banco. Eram 48 prestações de 2.500 reais. Eu arrisquei e dei conta de pagar as parcelas até o dia do rompimento, quando perdi todas as minhas coisas e perspectiva financeira. Mas alguém me ajudou. Um homem bom me ligou falando que tinha me assistido no programa da Ana Maria Braga e se ofereceu para pagar as quatros parcelas do caminhão que ainda faltavam. Aceitei e disse, para ele, que iria retribuir isso algum dia, de alguma forma. Tenho, para mim, esse compromisso com a comunidade, porque sei que, quando a gente ajuda um ao outro, a vida fica mais fácil de viver. E vejo isso nas abelhas.

Abelha é um bicho muito interessante. Se você mexer na casa delas, elas te picam. Quando as abelhas campeiras saem em busca do néctar das flores, elas deixam pra trás a proteção que tinham na colmeia e se arriscam aos perigos do mundo de fora. Esse é um trabalho duro, mas elas fazem isso pensando no objetivo maior de fazerem o mel. Sabem o lugar exato onde encontrar o néctar, porque têm um sentido muito bom. Quando voltam, entregam o mel para as abelhas engenheiras, que vão depositá-lo nos favos, cobrir de cera e esperar pelo menos dois dias para estar pronto. Então, uma abelha é absolutamente inútil sozinha e, na colmeia, a decisão jamais fica restrita a uma só. Todas as abelhas alimentam-se, limpam-se, comunicam-se e se reconhecem como membros de uma mesma sociedade. Quando o clima não favorece, chuva ou frio, por exemplo, elas ficam bravas e gostam de ficar juntinhas. Sabemos o quanto uma colônia de abelhas é um obstáculo temível para qualquer predador. Por isso, acredito que podemos tirar uma grande lição entendendo a vida das abelhas e também agradecendo a todo mundo que nos ajuda a ficarmos firmes na luta para ter nossa colmeia de volta.[/vc_column_text][/thb_border][/vc_column][vc_column width=”1/3″][thb_image image=”760″][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column css=”.vc_custom_1513086049756{margin-top: 25px !important;}”][vc_column_text]

A gratidão das abelhas

Para o mundo em geral que nos acolheu naquele momento em que a gente estava no chão, que a gente não sabia para onde ir, um agradecimento. Tudo o que vocês nos doaram, aquelas cartinhas que enviaram para as crianças, com mensagens de apoio dizendo “você vai vencer”, pequenas coisas que nem custam dinheiro e que nos deram forças. A todas essas pessoas que nos ajudaram, quero dizer que a gente está se levantando – aos poucos -, passando por cima das coisas ruins, tentando viver com o que há de bom. Obrigado, mundo que nos apoiou. Estamos aqui de braços abertos para que, (se) um dia, nós possamos estender a mão a vocês também. [/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]