Novos projetos

A mudança inesperada para Mariana tornou incertos os planos e os sonhos que muitas pessoas atingidas tinham antes, no território. Viver na sede da cidade implica em repensar a própria vida, enquanto se espera a reparação integral de seus direitos. Assim, vários aspectos são modificados, inclusive o profissional. Larissa Sena, moradora de Paracatu de Baixo, se deparou com esse dilema. Com as incertezas de como e quando será a ida para o reassentamento, ela buscou, no sonho de abrir o próprio negócio, uma segurança para o futuro. A Doublé, loja de roupas, é um empreendimento em sociedade com suas duas irmãs e vem correspondendo às expectativas, apesar das dificuldades enfrentadas devido às restrições impostas pela pandemia da Covid-19.

Por Larissa Sena

Com o apoio de Joice Valverde

Quando morava em Paracatu, eu tinha outros planos, outros projetos. Mas aí, vindo pra Mariana, as coisas mudaram. Minha vida e a de toda minha família virou do avesso, não sabia o que ia fazer. Depois que as coisas foram se normalizando, trabalhei por alguns meses e foi onde eu tirei algumas experiências e percebi que queria algo melhor. Foi assim que decidi planejar abrir uma coisa minha, ou seja, trabalhar pra mim mesma. Nisso, conversei com meus pais, eles super apoiaram a decisão e deram a maior força, foi aí que eu e minhas duas irmãs viramos sócias e decidimos comprar uma loja de vestuário masculino e feminino. 

A gente comprou uma loja que já existia há mais de sete anos aqui na cidade de Mariana. Tomamos posse dela no dia 1o de setembro de 2020, porém continuamos com ela do jeito que pegamos. Aí, quando as coisas foram se normalizando, eu e minhas irmãs já tínhamos pegado a prática, decidimos mudar a cara da loja. Foi quando resolvemos mudar de ponto e iniciar um projeto novo, colocando a loja do nosso jeito. E, graças a Deus, tivemos um bom desempenho, as coisas ficaram melhor do que estavam. 

Essa foi a alternativa que encontramos, é uma forma de garantir o nosso futuro. Por que, quando voltamos para o Paracatu novo, vamos viver de quê? Não sei se vai ter emprego. Eu pensei nessa possibilidade de ter um negócio próprio, foi um investimento bem alto, mas, lá na frente, eu vou ver o resultado, porque tudo o que tô fazendo hoje, vai ser recompensado lá na frente.

Larissa Sena, moradora de Paracatu de Baixo

Medidas de restrição 

A loja, com certeza, está sendo muito afetada, justamente por não conseguirmos trabalhar normalmente. Temos que ficar de portas fechadas, devido à pandemia ter se agravado em nossa cidade nesses últimos meses. O que me preocupa mais é o aluguel do ponto onde a loja está localizada, porque, infelizmente, querendo ou não, as contas chegam de qualquer forma. A nossa sorte é que temos o capital de giro da loja, então tá dando pra levar, não está 100% bom, mas estamos sabendo administrar esse momento difícil que estamos passando. A alternativa que encontramos é trabalhar on-line, pelas redes sociais, lançando promoções. É claro que perdemos um pouco, mas antes isso do que nada, temos que usar a inteligência e trazer os clientes, porque, se não soubermos administrar essa fase ruim que estamos passando, não vamos conseguir seguir adiante com a loja. Mas tudo está dando certo, mesmo com todas as dificuldades, tenho certeza de que vamos saber lidar com essa situação e, logo, logo, vamos poder voltar à nossa rotina normal.

Larissa Sena, moradora de Paracatu de Baixo

Onda Roxa

[vc_row][vc_column][thb_gap height=”50″][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][thb_border][vc_column_text] O fechamento provisório da loja da Larissa e de suas irmãs é uma medida aliada à paralisação das atividades do comércio, necessária para evitar aglomerações e conter a transmissão do vírus da Covid-19. Desde o dia 16 de março, a Prefeitura de Mariana aderiu à Onda Roxa do Programa Estadual Minas Consciente, devido ao agravamento da pandemia e ao aumento do número de óbitos no município. O Decreto Municipal no. 10.447 intensifica as medidas de restrição e proíbe o funcionamento de serviços não essenciais, como é o caso do comércio, além da circulação de pessoas e de veículos durante o horário de 20h às 5h. Na data em que o decreto entrou em vigor, Mariana registrava 46 óbitos e 22 pacientes internados. Os casos na cidade totalizam 5.591 em um ano de pandemia, com 69 novos casos só no dia 16. Nesse momento crítico, é ainda mais indispensável ressaltar a importância do distanciamento e isolamento social, do uso de máscaras e da higienização frequente das mãos, conforme orientação da Organização Mundial da Saúde. [/vc_column_text][/thb_border][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][thb_gap height=”100″][vc_column_text]