Josés e Marias

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Por José Barbosa, José Geraldo, José Delfonso, Maria Aparecida, Maria da Conceição, Maria do Pilar, Maria Felix

Com o apoio de Carlos Paranhos e Daniela Felix

Fotos: Daniela Felix

Para os Josés e as Marias das comunidades atingidas, a origem de seus nomes vêm da Bíblia, da roça, do costume de uma gente antiga. Vêm também da beleza de suas palavras e por simbolizar forte proteção. São heranças transmitidas de pais e mães para filhos e filhas. Identificações que carregam em si mensagens de força e perseverança. Além do nome e da origem, muitos são os Josés e as Marias que, vítimas de um crime, passaram a compartilhar, desde novembro de 2015, uma vida de mudanças, de receios e de lutas. Neste dezembro, trazemos o desabafo de pessoas que, tal como na história bíblica, enfrentam, a seu modo, as dificuldades de tempos incertos.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column width=”1/3″][thb_image image=”854″][/vc_column][vc_column width=”2/3″ css=”.vc_custom_1514445487871{margin-top: 25px !important;}”][thb_border][vc_column_text]Depois que vim pra Mariana, fui muito prejudicado. Operei do coração e vivo sempre doente. Lá no Bento, eu tinha cinco casas e um comércio, agora não tenho mais nada. Achava que, em um ano, a gente já teria nossas casas de volta. Já se passaram dois e parece que vai levar, pelo menos, mais dois. Se a morte não chegar pra mim até lá, quero construir meu bar pra entreter a vida, passar o tempo e não ficar muito quieto dentro de casa.

Barbosa

[/vc_column_text][/thb_border][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column width=”2/3″][thb_border][vc_column_text]Antes, eu levantava às quatro e meia da manhã e já tinha serviço. Chegava em casa na parte da tarde, pegava o anzol e ia pescar, não tinha cansaço. Isso, pra gente, era a maior alegria. Aqui em Mariana, às vezes, eu acordo e não tem nada. Dependo de remédio para seguir minha vida. Fico pensando na água, na lama, no jeito que nós saímos do Gama com água na cintura. Fiquei traumatizado.

Geraldo

[/vc_column_text][/thb_border][/vc_column][vc_column width=”1/3″][thb_image image=”853″][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column width=”1/3″][thb_image image=”856″][/vc_column][vc_column width=”2/3″ css=”.vc_custom_1514497006539{margin-top: 25px !important;}”][thb_border][vc_column_text]Eu e o Zé crescemos juntos lá no Bento. Começamos a namorar depois de um baile no Sobrero. Casamos, fomos morar juntos e depois engravidei do Lucas. Todas as lembranças do casamento foram embora com a lama.  As coisas estão difíceis, tem dia que a minha vida é só chorar, mas Deus e São Bento me dão forças. A fé é a melhor coisa que Deus dá pra gente, Ele me fortalece e eu torno a aguentar. Quando eu tiver a minha casa, vou ver se eu consigo umas mudas de jabuticaba. Eu não vou chupar, mas meus netos vão. Vai ficar tudo pra eles.

Aparecida

[/vc_column_text][/thb_border][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column width=”2/3″ css=”.vc_custom_1514497117619{margin-top: 25px !important;}”][thb_border][vc_column_text]Paracatu era uma roça que todo mundo vivia feliz. Quando vejo minhas coisas lá entupidas de lama, penso: “Meu Deus, tudo que construí com muita dificuldade apanhando café, capinando e plantando foi embora”. Hoje, tô nessa casa antiga, dependendo deles [Samarco], que eu nunca vejo. Mas sou uma pobre orgulhosa, não corro atrás deles pra me mudar. Eles me colocaram aqui e daqui vão me tirar só pra minha casa pronta. Não sou egoísta, não quero um palácio, quero só o que eu tinha. Tem dia que dá vontade de sumir daqui, mas deixo pra lá.

da Conceição

[/vc_column_text][/thb_border][/vc_column][vc_column width=”1/3″][thb_image image=”851″][/vc_column][/vc_row][vc_row css=”.vc_custom_1514501941772{margin-top: 25px !important;}”][vc_column width=”1/3″ css=”.vc_custom_1514497457432{margin-top: 25px !important;}”][thb_image image=”850″][/vc_column][vc_column width=”2/3″][thb_border][vc_column_text]Por mais que eu tenha ido morar e estudar fora, não conheci nenhuma pessoa com a mesma história que a minha. O contato de ter morado num subdistrito, de ter brincado, plantado, de saber que o leite não vem da caixinha. Lá era muito diferente da cidade. Jamais trocaria minha infância, porque muito do que sei hoje é da essência de quando eu era criança. Só quem foi atingido, só quem perdeu sua casa, sua história, seu lar sabe o sofrimento que carrega consigo.

do Pilar

[/vc_column_text][/thb_border][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column width=”2/3″ css=”.vc_custom_1514497518250{margin-top: 25px !important;}”][thb_border][vc_column_text]Lá no Bento era muito bom, porque a gente considerava todo mundo uma família. Eu trabalhava com a geleia de pimenta. Era apaixonada pelo plantio e pela colheita. Aqui tenho minhas plantinhas, mas elas não crescem. Compro ouro verde pra colocar nelas de 15 em 15 dias e, mesmo assim, ficam feias. Minha varanda no Bento tinha planta de fora a fora, tínhamos até que afastar as samambaias pra conseguir passar. Lá elas eram verdinhas. Tinha também tudo quanto é tipo de fruta.

Felix

[/vc_column_text][/thb_border][/vc_column][vc_column width=”1/3″][thb_image image=”849″][/vc_column][/vc_row]