Cortam-se os fios, ficam os afetos

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Por Cristiano Sales, Mônica dos Santos e Simaria Quintão

Com o apoio de Genival Pascoal, Maria Ludmilla Silva e Miriã Bonifácio

Foto: Miriã Bonifácio

No dia 14 de janeiro de 2018, os moradores de Bento Rodrigues (da turma Loucos pelo Bento) perceberam o corte nos fios dos postes que forneciam rede elétrica para a parte alta da comunidade, mais especificamente para o entorno da casa de Teresinha – umas das residências que permaneceu de pé após o rompimento da barragem e onde eles costumam ficar aos finais de semana. Os fios foram enrolados nos postes, ou seja, nada foi realmente subtraído, apenas romperam os pontos estratégicos que serviam para fazer a ligação. Um boletim de ocorrência foi registrado e uma solicitação de religação foi encaminhada para a empresa responsável pela manutenção de energia do município. Como resposta, os moradores foram informados de que para que o dano seja reparado, será preciso da “autorização” por parte da Defesa Civil de Mariana, da Prefeitura Municipal, da Samarco e da Fundação Renova, nesta ordem. Até o momento, ainda falta luz.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column css=”.vc_custom_1521023569373{margin-top: 24px !important;}”][vc_column_text css=”.vc_custom_1521023510113{padding-top: 10px !important;padding-right: 155px !important;padding-bottom: 10px !important;padding-left: 10px !important;background-image: url(https://jornalasirene.com.br/uploads/2018/03/Miria-fios-em-Bento-altera-branco.jpg?id=1271) !important;background-position: center !important;background-repeat: no-repeat !important;background-size: cover !important;}”]Será que estão se sentindo ameaçados pela nossa presença aqui? Será que o nosso direito de ir, vir e permanecer os amedronta? Foi a mando de quem? A quem interessa subir em um poste de oito metros de altura para cortar a fonte de energia que oferece pouca luz para uma casa de esquina, com janelas recolocadas à mão, portas de cortina e telhado metade lona, metade telha? Para que servem alguns metros de fio sem valor comercial? Não temos mais o direito de ter luz aqui? Por quê? Por que a Fundação Renova/Samarco precisa autorizar a religação da nossa energia? Essas terras são delas ou esse espaço ainda é nosso? É porque somos aqueles que sobreviveram e fazemos parte desse milagre que é ainda estar aqui? É porque, como foi naquele dia 5, se acontecer algo de novo, a gente sabe que caminho vamos tomar, para onde devemos correr, mesmo sem preparo nenhum? É por isso? É porque, com a energia, a gente teria um pouco mais de conforto na comunidade, dependeríamos menos da empresa para realizar as nossas festas religiosas e não precisaríamos dela para mais nada? É por causa dessa nossa felicidade em estar em Bento Rodrigues, e aqui ser o lugar que a gente gosta e se sente bem, mesmo depois de tudo o que aconteceu? É pela gente, mesmo com o reassentamento, querer frequentar o que é nosso? É porque a gente ainda resiste?[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=”.vc_custom_1521023547318{margin-top: 24px !important;}”]A moradia deve ser o território que propicia acesso aos direitos, e não o contrário. Mais do que ter casa própria ou viver de aluguel, o que as pessoas necessitam é da segurança de um lar e dos afetos que ele proporciona. Afetos capazes de transcender a ideia de lugar  como pontos fixos no chão (muito mais do que paredes e estruturas), e revelar quem a gente é, e o que ainda podemos ser. Permanecer também é escolher o próprio destino.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]