O que é lazer para nós?

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Bar do Jairo, antes da tragédia, localizado em Paracatu de Baixo. Um dos locais onde a comunidade se reunia para realizar as festividades. (Foto: Raiane Rosa/Arquivo Pessoal)

Por Cátia Aparecida, Luzia Queiroz, Marcos Manoel Muniz, Raiane de Oliveira

Com o apoio de Wandeir Campos

A perda dos espaços de lazer nas comunidades atingidas de Bento Rodrigues e de Paracatu de Baixo ocasionou a privação das diversas formas de distração dos seus moradores. Os lugares de descanso, de folia, de comemorações, de brincadeiras estão na memória e nas fotos de quem viveu esses momentos. Nesta matéria, trazemos depoimentos de alguns atingidos que nos deixam clara a importância de se pensar a reconstrução do lazer nas futuras comunidades, e também de revisar os programas provisórios de lazer que são oferecidos pela Fundação Renova/Samarco. [/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column css=”.vc_custom_1522764623924{margin-top: 24px !important;}”][thb_border][vc_column_text]

O meu lazer era

“Lazer, pra mim, era sinônimo de liberdade. Me sentia livre vendo um jogo no campo de futebol  ou mesmo um jogo de futsal na quadra. Era sair com as minhas amigas e perder a noção da hora. Era sair sozinha e minha mãe ficar despreocupada, porque ela sabia como era o lugar onde a gente morava. Era ir à cachoeira mesmo tendo medo, mas sabendo que as pessoas que estavam lá jamais deixariam algo me acontecer. Era ir pra casa das minhas amigas a hora que eu quisesse, sem me preocupar se tenho que pegar ônibus ou se dá pra ir a pé, pois a distância era a menor possível. Era sentar na rua da minha casa e ficar horas conversando, até com as pessoas mais velhas, que contavam histórias antigas pra nós, que éramos mais novos. Era acender uma fogueira no caminho, em época de frio, e ficar com a turma da rua lá até tarde conversando. Hoje, saio com as minhas amigas raramente, conversamos mais por telefone. Não participo dos programas da Renova, mas acho importante para tentar juntar a galera. Sei que é difícil.”

Cátia Aparecida da Silva, moradora de Paracatu de Baixo

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Isso, para mim, era lazer

“Quando era criança e estudava em Bento, tinha a praça onde jogávamos “pelada”. Só podíamos jogar depois de fazer as obrigações de casa, de ajudar os pais no trabalho da roça. O dedo chegava a ficar esfolado de jogar futebol descalço. Mas aí me tornei adulto e ficou difícil, porque trabalhava de turno e só tinha tempo para jogar no campo, quando tinha folga, aos domingos. Aos sábados, depois da missa, sempre ficávamos conversando na porta da igreja, isso, para mim, era lazer. Nas festas religiosas, todos usavam a praça São Bento para diversão com os amigos e familiares. Antes do rompimento da barragem era assim. Não participo de nenhum programa que a Renova oferece, eles alugam um campo para quem quiser ir jogar, mas não é a mesma coisa. Quando Bento for reconstruído, espero que eles façam essas áreas melhores do que as que tínhamos lá em Bento Rodrigues.”

Marcos Manoel Muniz, morador de Bento Rodrigues

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A rua São Bento, ponto de encontros e conversas entre os moradores.

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Como ter isso de volta

“Morava em Paracatu de Baixo desde que nasci. Era tão gostoso o lazer lá. Chegava umas cinco horas da tarde, reunia um tanto de gente para jogar bola e as mães, Do Carmo, Isolina e a minha mãe, ficavam gritando a gente. Nos sábados e domingos, a nossa turminha sempre fazia um churrasquinho no Carlim, no Jairinho ou no Banana. Tínhamos nossa liberdade. A rua era nossa e ficávamos até tarde nela. Esquentávamos com o fogo na época de frio. Pegávamos bambu. Chegava época de calor e nós íamos para a cachoeira. Hoje, se sentimos calor, bebemos água, porque não tem mais cachoeira. Brincávamos de pique-esconde e polícia-ladrão à noite. Mexíamos com Duquinha e Nicanor. Era todo mundo conhecido. Éramos unidos. Hoje não. O meu povo de Paracatu está distante. Não tem lazer para os adultos e nem diversão para as crianças. As mães, antes, sabiam onde seus filhos estavam: no campo ou na rua. Em Mariana (sede), é complicado, nós temos que deixar os nossos filhos dentro de casa.”

Raiane Rosa de Oliveira, moradora de Paracatu de Baixo

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