Saberes que continuam: “doces, afetos e memórias”

[vc_row][vc_column][vc_column_text]Por José de Jair e Maria José Cardoso

Com o apoio de  Madalena Santos e Wandeir Campos

Na segunda matéria da série “Saberes que continuam”, trazemos as histórias de dois personagens que, por afeto, produzem doces tradicionais de suas famílias, aprendidos com as avós. Essas receitas nos convidam a habitar os lugares dessas memórias, a recordar junto com eles os sabores e os modos de vida que ficaram.

Sabores que vêm da infância

A pedagoga e doceira Maria José Cardoso, Zezé como é conhecida, mora em Camargos e, desde 2017, após ter conseguido sua aposentadoria, começou a produção de doces para vender. Hoje, ela tem o seu trabalho reconhecido e vendido na Feira Noturna, um dos pontos de encontro dos(as) atingidos(as) em Mariana.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row css=”.vc_custom_1527711578772{margin-top: 24px !important;}”][vc_column][vc_column_text]

A moradora de Camargos Maria José (Foto: Wandeir Campos/Jornal A Sirene)

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Em 2010, iniciei o curso de Pedagogia na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Assim, poderia lecionar em Bento Rodrigues. Em 2014, aproveitei as férias e fiz um curso de produção de doces e geleias em Bento. Planejava abrir uma “portinha” para vender meus artesanatos e doces para visitantes da Estrada Real. Meus sonhos foram interrompidos quando a lama levou Bento e a ponte de Camargos. Em 2017, me aposentei. Antes disso, consegui realizar alguns projetos pessoais. Tinha certeza de que não conseguiria ficar parada e havia decidido que ia morar em Camargos. A Feira Noturna está me dando a oportunidade de realizar o sonho que aprendi na infância com a minha avó, mãe e tias.

Maria José Cardoso, moradora de Camargos

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(Fotos: Wandeir Campos/Jornal A Sirene)

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Memórias que ficam

José de Jair, Zé de Jair como é conhecido, nasceu em Paracatu de Baixo, tem 73 anos, mora em Ponte do Gama e aprendeu com a avó, aos 10 anos, a fazer doces a partir de diversas frutas. Desde aquela época, nunca mais esqueceu a receita, os ingredientes, o modo de preparo e o sabor dos doces da vovó Clara.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row css=”.vc_custom_1527711604293{margin-top: 24px !important;}”][vc_column][vc_raw_html]JTNDY2VudGVyJTNFJTBBJTNDaWZyYW1lJTIwd2lkdGglM0QlMjI1NjAlMjIlMjBoZWlnaHQlM0QlMjIzMTUlMjIlMjBzcmMlM0QlMjJodHRwcyUzQSUyRiUyRnd3dy55b3V0dWJlLmNvbSUyRmVtYmVkJTJGM3BzTmZaQ2lTZVElMjIlMjBmcmFtZWJvcmRlciUzRCUyMjAlMjIlMjBhbGxvdyUzRCUyMmF1dG9wbGF5JTNCJTIwZW5jcnlwdGVkLW1lZGlhJTIyJTIwYWxsb3dmdWxsc2NyZWVuJTNFJTNDJTJGaWZyYW1lJTNFJTBBJTNDJTJGY2VudGVyJTNF[/vc_raw_html][/vc_column][/vc_row][vc_row css=”.vc_custom_1527708630014{margin-top: 24px !important;}”][vc_column][thb_border][vc_column_text]Eu e meus irmãos aprendemos a fazer os doces com a vovó Clara. Ela morava com a gente lá em Paracatu de Baixo. Fazia  doce até de jiló, que é amargoso. Antigamente, não adoçava com açúcar, era com a rapadura que fazíamos da cana que dava na roça. Cada domingo era um doce que a gente aprendia com ela. Às vezes, estávamos brincando e ela vinha no quintal chamar a gente para ir colher abóbora. Ela falava assim: “Vamo ir lá pegar uma abóbora coração-de-boi”. Íamos na plantação, colhíamos e ficávamos olhando ela fazer. Foi assim que aprendi.

Especialmente para o doce de abóbora, ela nos ensinou que tem que cortar a abóbora no meio primeiro para ver se tem alguma “doença” por dentro, depois lavar e descascar, picar e colocar pra cozinhar no tacho de bronze. Amassar, voltar para o tacho, acrescentar leite e açúcar, e ir mexendo para não grudar no fundo.

Tem dois jeitos de comer o doce, mais mole ou cortado em cubos. A vovó fazia os dois jeitos para agradar a todos. Isso porque ainda não falei do cheiro que ficava na casa por inteira, do fogão à lenha, da lenha queimando, do tacho de bronze cozinhando o doce. Até do lado de fora dava pra perceber. Até hoje posso sentir.

José de Jair, morador de Ponte de Gama

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