EDITORIAL: A Samarco e o sustento da exploração

Se para a Samarco a audiência pública sobre a utilização da Cava de Alegria Sul é extremamente importante, para os atingidos e marianenses a reunião é um sinal de alerta. Ainda que exista um aparente desejo por parte da população para que a empresa volte a operar e, assim, possa ajudar os trabalhadores da cidade de Mariana, temos de ser cautelosos.

É importante que os moradores atingidos direta e indiretamente pelo rompimento da barragem se perguntem: a mineradora consegue nos comprovar de que estaremos em segurança? ela está sendo responsável em arcar com os deveres junto aos moradores e aos administradores da nossa cidade? as operações da empresas irão beneficiar somente ela? a empresa está reparando parte dos danos porque sabe de sua obrigação ou porque a justiça ordenou?

Tais perguntas críticas irão nos direcionar para entender o real motivo da realização da audiência dos dias 14 e 15 em Ouro Preto e Mariana: apenas mais uma etapa obrigatória para que a Samarco possa sensibilizar órgãos como a Semad (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável), que é responsável pela liberação das licenças. Com a obrigação de discutir com os moradores sobre projetos que vão impactar o meio ambiente e a vida da comunidade, não há qualquer demonstração de que a empresa está adotando práticas mais humanas, e sim cumprindo os processos para alcançar o que deseja para 2017, a expectativa de voltar a operar com 60% da capacidade e garantir a competitividade perante o mercado.

Em um momento em que a Prefeitura de Mariana e o Governo de Minas Gerais buscam uma maneira mais rápida de conseguir verbas, a autorização fácil para a Samarco voltar a funcionar e gerar lucro, sem que haja uma contrapartida responsável para isso se torna cada vez maior.

Acreditamos que não existe o fim da mineração, mas que ela deve ser realizada de maneira responsável, sem agredir o nosso futuro e de nossos familiares. Sem que a natureza da qual dependemos para sobreviver, como o Rio Piracicaba, seja sacrificada. Afinal, para uma mineradora de grande porte como a Samarco, e controlada pela Vale e BHP Billiton, acredita-se que é de obrigação primária prover segurança, e não exploração.

15492466_1242988955739459_4140944660174694558_n