Maio 2019

[vc_row][vc_column][vc_column_text]Por Luzia Queiroz, Paracatu de Baixo[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][thb_gap height=”30″][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]Hoje temos treinamentos para correr da lama de rejeitos caso uma barragem rompa. Mas, quando as empresas tinham que ter se preocupado com isso, não se preocuparam. Hoje fazemos o treinamento com uma sirene que toca sem haver rompimento. Tem gente que corre porque rompeu, outras correm à toa porque a sirene tocou errado, e eles dizem que foi um “pequeno” problema. Tem horas que ficamos com aquela coisa na cabeça: será que a barragem vai chegar de novo onde estamos? Teremos tempo de correr? Quem já teve que correr, tem o temor da sirene, quem não correu, tem o temor da sirene tocar, e quem não acredita, um dia, vai ver o terror da sirene chegar. Com isso, vamos adoecendo aos poucos.

Quantos(as) mais terão que ser mártires para poder provar que esse sistema é errado? Que a vida não é só dinheiro? Quantos(as) mais vão chorar a morte dos seus(suas) filhos(as), de seus(suas) familiares? A mineração deve existir, mas com consciência e respeito às comunidades.

O crime da Vale, em Brumadinho, foi uma catástrofe, matou muita gente. A senhora da capa desta edição, Artila Conceição, é da comunidade de Córrego do Feijão. Ela foi atingida duas vezes por barragens. Nos anos 1980, perdeu sua comunidade inteira, Escontendas, em Brumadinho, para a construção da barragem de água da Copasa. Em 2019, perdeu sua filha, sua neta e parte significativa de sua comunidade.

É por isso que precisamos ocupar os nossos territórios. Hoje, Artila não pode mais voltar à sua terra porque, graças à ganância, sua comunidade não existe mais. Para aqueles que conseguem, a volta ao território atingido tem que ser maciça. Temos que cultuar esse espaço porque é nele que está o nosso álbum de fotografia, a nossa memória. Então, sejamos guerreiros que resistem e retornam ao território porque é lá que a gente se sente bem, é assim que buscamos energia para sobreviver e enfrentar o desconhecido. Temos, sim, que preservar a natureza e as ruínas de nossas comunidades. Temos que continuar preservando a cultura, tombar e fazer dessas ruínas um importante marco, um lugar onde as pessoas venham e entendam que ali tinha uma cultura, uma arte, uma preservação e um povo muito feliz. E esse povo vai continuar, enquanto puder, assim como sua descendência, cultuando e falando sobre aquele lugar maravilhoso que, um dia, existiu e, hoje, não existe mais, mas que não pode ser enterrado de vez pela ganância e por aqueles que acham que dinheiro é tudo na vida. Nem tudo é dinheiro.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]