Editorial (Dezembro/2020)

Nos aproximamos do fim do ano de 2020. Não foi um ano fácil.  Ainda nos primeiros meses, a atenção mundial se voltou para uma doença, sobre a qual, até aquele momento, pouco se sabia. A Covid-19 – causada por um novo tipo de coronavírus, o Sars-CoV-2 – resultou em uma pandemia que ainda não foi controlada. Até o dia 30 de novembro, ao todo, 2.773 pessoas testaram positivo em Barra Longa, Mariana e Rio Doce, cidades para as quais é voltada a cobertura do Jornal A SIRENE. Um sinal de que a vida no interior também está sendo afetada. 

A recomendação mais eficaz para evitar a transmissão da Covid-19 foi, e ainda é, o distanciamento social. Embora esse distanciamento não esteja sendo respeitado por muitos da forma como deveria, a medida nos abalou de diversas maneiras: no âmbito psicológico, social, político, econômico… 

 Da mesma forma, (as) atingidos(as) viram suas vidas sofrerem interferências. Como se não bastassem os transtornos do processo de reparação, precisaram se adequar a um novo contexto atípico. As reuniões presenciais foram substituídas por videochamadas. A expectativa para a entrega dos reassentamentos foi novamente afetada pela preocupação com mais um possível adiamento. As dificuldades de adaptação às novas tecnologias e alternativas de diálogo resultaram em mais desgastes em suas rotinas. As formas de violação dos direitos das pessoas atingidas foram atualizadas para esse momento. E foi assim que o crime da Samarco/Vale/BHP Billiton chegou ao marco de cinco anos. 

O Jornal A SIRENE também foi afetado pela pandemia. As coberturas e entrevistas presenciais foram suspensas e a rotina teve de ser repensada para o trabalho remoto. A impossibilidade de contato pessoal nas casas dos(das) atingidos(as), para conversar e fotografar, nos fez recorrer aos recursos virtuais para continuar a produzir as matérias. Suspendemos também as impressões do jornal e a sua circulação passou a ser apenas por meios digitais. Essas mudanças foram necessárias para que seguíssemos acompanhando o processo de reparação e as denúncias de violação de direitos, ao mesmo tempo em que informamos sobre o novo contexto imposto pela pandemia.

O ano de 2020 foi difícil. Não queremos romantizar esses momentos que passamos listando o que aprendemos, afinal, não há o que se comemorar quando mais de 170 mil pessoas morreram em função dessa doença, somente no Brasil, até o fechamento desta edição. Mas há um aprendizado que esse ano reforça e que precisamos nomear: a luta pelos direitos é constante, porque sempre tentam tirar esses direitos de nós, por mais adverso que seja o cenário. Assim, A SIRENE reafirma o seu compromisso de ser um instrumento de luta pela reparação integral dos direitos dos(as) atingidos(as).