Editorial (Março/2021)

A espera não é uma ação fácil. Dificulta esse processo quando aqueles que também precisam agir não executam suas atividades direito. Os(As) atingidos(as) lidam com isso há muito tempo e, mais uma vez, veem um prazo sendo desrespeitado. Os reassentamentos deveriam ser entregues no dia 27 de fevereiro de 2021, no entanto, quase nada das obras andou.

No dia em que a entrega deveria acontecer, os(as) atingidos(as) protestaram pelo atraso nos territórios . A Renova compareceu, mas se recusou a acompanhar o protesto devido à presença da imprensa. Na matéria principal desta edição, informamos como foi a manifestação e as críticas da comunidade atingida sobre a demora.

Já são mais de cinco anos de espera por uma reparação que não vem, por um reassentamento que não é entregue, por cadastros que não são realizados, pelo reconhecimento de atingidos(as) que, até hoje, não tiveram esse direito assegurado, por uma indenização justa. São mais de cinco anos em que as comunidades atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão esperam e lutam para que a justiça seja feita.

Outra ação que trouxe revolta, dessa vez aos(às) atingidos(as) pelo rompimento da barragem da mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, foi o acordo que o Estado de Minas Gerais firmou com a mineradora Vale. As vítimas do crime não foram convidadas a participar ativamente nas negociações. Mais uma vez, são os causadores dos danos que são ouvidos, e não aqueles(as) que sofrem as consequências.

Nesta edição, também relembraremos os dois anos da lama invisível que atordoa comunidades de Barão de Cocais. Em fevereiro de 2019, sirenes tocaram na região durante a madrugada. Até hoje, os(as) moradores(as) esperam respostas e o retorno para as suas casas.

Assim como Barão, Antônio Pereira, hoje, vive sob o medo de um possível rompimento, o que se agrava com a falta de informações dadas pela mineradora Vale. Em meio a tudo isso, uma das lutas desses(as) atingidos(as) teve resultado. Agora, os(as) atingidos(as) terão uma Assessoria Técnica para auxiliá-los(as) no processo.   

Entre medo e espera, vivem os(as) atingidos(as) por barragens. O peso das forças é desproporcional, ainda são as mineradoras que se sentam às mesas de negociações para ditarem os termos de suas punições, mas a união dos(as) atingidos(as) na luta pelos seus direitos possui resultados positivos.