Editorial (Junho/2021)

Junho tem cheiro de quentão, gosto de canjica e melodia de arrasta-pé. No entanto, por causa da pandemia, seguiremos em distanciamento social para proteger a nós mesmos e aos próximos, e passaremos mais um ano sem festa junina, certos de que, em breve, vamos dançar quadrilha juntos. Apesar da saudade, não há pandemia que afaste o poder de Santo Antônio, popularmente conhecido como “santo casamenteiro”. Nesta edição, trazemos uma matéria com famílias que se formaram nos territórios atingidos e com casais que passaram momentos especiais nas comunidades.

Com o rompimento da barragem de Fundão, porém, essas e outras tantas famílias perderam a convivência com suas comunidades. Desde então, elas vêm travando uma luta pela reparação integral dos seus direitos, com o objetivo de retomarem suas casas e seus modos de vida. Entre os acordos feitos ao longo desses anos está a construção de reassentamentos coletivos, mas a demora na entrega das obras tem feito algumas pessoas optarem pelo reassentamento familiar como forma de seguirem em frente. Outra batalha que as pessoas atingidas estão enfrentando é a possibilidade de prescrição do crime do rompimento, que pode dificultar o processo de reparação de alguns direitos. Falamos sobre esses temas nas páginas do jornal.

Tão importante quanto enfrentar os desafios é celebrar as vitórias. No mês de maio, comemoramos a aprovação da Nota Técnica dos Garimpeiros Tradicionais do Alto Rio Doce. Esse é o primeiro passo para garantir o reconhecimento dessas pessoas como população tradicional, com saberes e fazeres próprios. As próximas etapas são desafiadoras, mas conquistas como a das comunidades de Rio Doce, Santa Cruz do Escalvado e Simplício, em Chopotó (Ponte Nova-MG), que receberam um Certificação de Autodefinição, são inspiração. Notícias como essa reafirmam a importância da união entre as pessoas atingidas: quando a luta é coletiva, a vitória também é.