A Escolinha de Futebol do Caé

A prática esportiva auxilia no desenvolvimento saudável de crianças e jovens, além de contribuir para a criação de vínculos e a socialização. No contexto de mudanças forçadas, vividas após o desastre-crime de 2015, se exercitar, junto de amigos(as), vizinhos(as) e parentes, num ambiente seguro, se tornou um privilégio negado à boa parte dos moradores(as) das comunidades atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão.

Expedito Lucas da Silva, conhecido como Caé, morador de Bento Rodrigues, acredita no esporte como uma atividade transformadora, por isso, há anos tenta criar uma escolinha de futebol para atender às comunidades de Bento, Camargos e Paracatu.

No dia 15 de abril, pela manhã, o projeto saiu do papel e foi inaugurado na quadra da Escola Municipal Bento Rodrigues, no reassentamento. A escola, dirigida por Eliene Geralda dos Santos, é uma parceira importante para a manutenção das atividades, pois disponibiliza a quadra para a prática, além de intermediar as relações entre as famílias e os desenvolvedores da ação.

Por Expedito Lucas da Silva (Caé), Luiz Henrique da Silva Cruz, Eliúdes Pereira da Silva e Pâmela Rayane Fernandes de Sena
Com o apoio de Crislen Machado e Marcella Torres

“Essa vontade de ter uma escolinha de futebol não é de agora não. Inclusive muito antes de ter acontecido esse desastre lá do Bento, eu já tive essa iniciativa, porém o serviço e o trabalho não ofereciam todas as condições, mas eu já comecei a treinar menino que hoje joga de titular e é bom de bola. E esse de agora, a ideia foi surgindo. Pra iniciar que é difícil, mas teve muito apoio local pra conseguir material. 

Hoje é muito difícil, a gente não tem horário de campo suficiente para cada equipe. Equipe principal, equipe veterana, criança, feminino. Mas não é de agora que eu tenho essa ideia não, é de muito tempo. Agora mesmo é pra ir acostumando colocar os meninos pra brincar. Eles gostam de brincar, menino precisa de queimar energia. Quando tá no campo brincando, nós esquecemos de fazer muita coisa errada. E tem a saúde também, né? O esporte, a saúde. Então, é muita coisa junto, né? É minha vontade que eu tenho de seguir, apesar do tanto de obstáculo que a gente passa, dificuldade no dia a dia, de trabalho, horário, espaço. Não é fácil.”

Expedito Lucas da Silva (Caé), morador de Bento Rodrigues

“O treinador tem sido muito efetivo, pois eu estou aprendendo muitas coisas. Um ponto que vale ressaltar é que o projeto foi desenvolvido para os alunos do Bento e tem alunos de fora que estão jogando e tendo acesso ao transporte que, até então, seria exclusivo para os alunos do Bento. Além disso, onde o limite de idade era de 13 anos e tem alunos bem mais velhos tendo acesso. A escolinha tem me ajudado muito no meu desenvolvimento e na minha resistência física. O dia e o horário foram muito bem escolhidos e o melhor é que o projeto foi apresentado para as mães numa reunião na escola antes de dar início aos treinos.”

Luiz Henrique da Silva Cruz, 11 anos, morador de Bento Rodrigues 

“Eu, como mãe, gostei muito do projeto e fiquei muito feliz por ter sido feito em parceria com a escola e família.”

Eliúdes Pereira da Silva, mãe do Luiz e moradora de Bento Rodrigues

“O meu filho, o Nícolas, é o que participa da escolinha de futebol. Então, depois que a escolinha começou, ele anda até mais animado, sabe? Porque ele já gostava de jogar bola. Aqui onde a gente mora, aqui tem um espaço bom, aí a gente fez uma trave para ele e ele estava jogando bola aqui. Quando apareceu a oportunidade de fazer a aula de futebol lá em Bento, ele ficou muito feliz, perguntou para mim: ‘mãe, eu posso participar das aulas? Eu estou gostando muito de jogar bola’. Ele começou com a opção de ser goleiro, depois ele não quis mais ser goleiro e foi pro campo, pra quadra, pro meio. Então está ajudando ele muito na atividade também, na parte física que ele precisa, psicologicamente também. E acaba me ajudando também, né? Porque eu fico feliz por ele estar bem, fazendo uma coisa que ele gosta. Faço questão de acordar todo sábado cedo pra arrumar ele pra ele poder ir. Dou todo o apoio, sabe? Então tá sendo muito bom pra gente. Só fala em futebol, futebol, futebol.”

Pâmela Rayane Fernandes de Sena, mãe do Nícolas Wester Fernandes Izabel, 11 anos, moradores de Cachoeira do Brumado