Do lado de fora

Todos os meses, atingidos(as) de diferentes comunidades ao longo da bacia do rio Doce abrem suas casas para receber a equipe do Jornal A SIRENE. Estamos acostumados a nos sentarmos juntos à mesa para ouvir seus relatos, resgatar lembranças e, para acompanhar a boa prosa, provamos seus quitutes e cafés quentinhos. Na despedida, deixamos sempre um sorriso despretensioso na varanda. Falamos de dentro. E assim nos aproximamos. Em todas essas visitas procuramos registrar suas emoções, da forma mais sensível possível, seja para uma denúncia ou memória. As fotografias do A SIRENE sempre tocaram muito os(as) leitores(as) e representaram bem os(as) atingidos(as). Hoje, neste contexto atípico de isolamento social devido à pandemia da Covid-19, enfrentamos uma dificuldade inesperada: pela primeira vez, estamos do lado de fora. Dada a impossibilidade de contato pessoal para as entrevistas, foi preciso recorrer ao nosso vasto arquivo para produzir o ensaio desta edição. Os(As) atingidos(as) seguem lutando para ter seus direitos assegurados, e o maior deles é ter suas casas de volta. Com eles(as), aprendemos a importância do lar. Trazemos, então, fotos que simbolizam bem a necessidade de ficarmos dentro de nossas casas, onde estamos seguros e protegidos. Enquanto seguimos distantes fisicamente, convidamos você para olhar, junto com a gente, pelo lado de fora das janelas e recordar alguns momentos em que estivemos do lado de dentro. 

Por Ana Paula Barcelos de Santos e Marcelo Augusto, Arlindo Luciano da Silva (Machadão), Maria Auxiliadora Rocha Machado (Dora), Maria das Graças Lima (Gracinha) e Dona Hilda. 

Com o apoio de Joice Valverde