Brumadinho: três anos de impunidade

Duas mulheres seguram faixa com fotos de pessoas mortas em Brumadinho

Comunidades atingidas e familiares das vítimas se reúnem para prestar homenagens e clamar por justiça

Por Joice Valverde e Karine Oliveira 

Com o apoio de André Luís Carvalho

25 de janeiro, marco dos três anos do rompimento da barragem em Brumadinho. Nesse dia, as comunidades atingidas se reuniram para protestar contra o crime causado pela Vale e pela Tuv Sud no Córrego do Feijão. O evento foi marcado por uma programação de fé e protestos. Pela manhã, o arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, celebrou uma missa em memória das vítimas, no Santuário Arquidiocesano Nossa Senhora do Rosário. Em um momento de grande emoção, o arcebispo pediu um minuto de silêncio pela manifestação dos familiares, que ergueram placas com o nome de cada um dos que perderam a vida no rompimento. Após a celebração, os presentes seguiram em caminhada até o letreiro da cidade, onde também prestaram homenagens.

Pontualmente, às 12h28, horário em que ocorreu o rompimento da barragem, em 2019, foram lançados 1.096 balões brancos e pretos, representando os dias de luto e impunidade. Balões também foram soltos em memória às vítimas do crime. Das 272 vidas perdidas no rompimento da barragem 1 da Mina do Córrego do Feijão, seis balões não subiram ao ar, simbolizando as vítimas que seguem desaparecidas.

Pessoas lançam balões pretos e brancos ao céu
Foto: André Luís Carvalho

Os atos representam uma luta coletiva, sobretudo, das famílias e comunidades tradicionais que sofrem os impactos decorrentes da contaminação do rio Paraopeba, afluente do rio São Francisco, que banha o Estado de Minas Gerais. Na manifestação, os índios Pataxós Hã-hã-hãe reivindicaram seus direitos e exigiram a responsabilização das empresas mineradoras, que, há três anos, negam a reparação integral das pessoas atingidas e dos povos que tinham o rio Paraopeba como meio de subsistência.

Foto: André Luís Carvalho

O marco do rompimento da barragem de Brumadinho teve grande adesão popular e a organização dos atos esteve de acordo com os protocolos para o controle da pandemia de COVID-19, com exigência de apresentação de comprovante de vacinação e distribuição de kits de proteção para todas as pessoas presentes.

O Jornal A SIRENE se solidariza com as famílias atingidas de Brumadinho e de toda a bacia do rio Paraopeba. Seguimos juntos na luta por justiça e reparação!