Uma visita ao Complexo de Germano

[vc_row][vc_column][thb_image full_width=”true” alignment=”center” lightbox=”true” image=”800″][/vc_column][/vc_row][vc_row css=”.vc_custom_1513784008246{margin-top: 25px !important;}”][vc_column][vc_column_text]Por Genival Pascoal

Com o apoio de Miriã Bonifácio

Arte: Lucas Campos

Saímos de Mariana, centro, em direção ao complexo de Germano, na Rodovia MG-129, km 117, com o pensamento de que iríamos encontrar a estrutura gigante de rejeitos que tanto, e ainda, nos assombra. De fato, não vimos algo diferente do imenso ou assustador, mas algumas de nossas percepções mudaram com o andar da visita e novas impressões puderam ser feitas a partir daí.  

Ainda eram nove horas da manhã e no caderno estavam anotadas perguntas relacionadas a locais seguros, plano de emergências, sistema de contenções, impactos e outras questões que, agora, nos surgem quando pensamos no rompimento de uma barragem.

Entretanto, essas dúvidas só apareceram depois de termos participado de uma reunião das comunidades da Zona Rural com a Fundação Renova/Samarco, em que um estudo da ruptura da Barragem de Germano – o Dam Break -, nos foi apresentado. Nesse documento havia imagens aéreas das comunidades atingidas e uma mancha marrom (Fundão), sobreposta por outra azul (Germano), tentava dar dimensão do que uma atingiu e do que a outra poderia atingir. Mas não davam. Foi difícil para o nosso olhar, tão destreinado em relação a isso, saber dizer ao certo até que altura aquelas marcas iriam se a estrutura realmente se rompesse. Por isso, as dúvidas. Por isso, nossa visita ao complexo de minas de Germano.

Para entender, fomos olhar de perto

Após o vídeo institucional da empresa e de percebermos que a ideia de segurança dela é, talvez, exagerada, mas com certeza deslocada e tardia – nos jardins que cercam o centro de escritórios haviam placas alertando sobre os perigos da queda de frutas das árvores, fomos sendo introduzidos sobre os conceitos de barragens. Descobrimos, então, que Germano está cheio do mesmo rejeito que saiu de Fundão, com diferença apenas no tipo de granulamento do material. E que, em área, ele é um pouco mais que o dobro da barragem rompida. O que não quer dizer pouco, nem pequeno, mas em comparação, algo em torno de “o copo e o balde”.

Também ficamos sabendo pelo coordenador de obras da Samarco, Eduardo Moreira, que a Barragem de Fundão estava perto de se exaurir, e que talvez, hoje, se a empresa não conseguisse o alteamento da estrutura, ela já estaria fora de funcionamento. Uma tristeza só de imaginar isso, que por um tempo de dois anos o crime poderia não ter acontecido. Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo e Gesteira Velho ainda poderiam estar no mapa.

Porém, o que mudou mesmo a nossa noção sobre Germano foi perceber que eles [a Samarco] não estão tão preocupados assim com o rompimento dessa barragem, já que, também segundo Eduardo Moreira, ela é assumidamente muito mais estabelecida do que Fundão era. Esgotada em 2012, ainda nas palavras do coordenador, Germano é tão forte que não se abalou nem diante do que aconteceu naquele dia 5 – com exceção do pé da mina que precisou passar por obras emergenciais de contenção. Desse modo, eles deixaram ver que a maior apreensão ainda está relacionada a Fundão, já que, dos 55 milhões de metros cúbicos de rejeito que comportava, ainda lhe sobraram 13, que junto com outros 7 milhões de m³ de água da Barragem de Santarém, formam um montante ainda significativo e muito perigoso.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column width=”2/3″][/vc_column][vc_column width=”1/3″][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column width=”2/3″][vc_column_text]

À parte isso, vimos uma mega estrutura de obras de contenção e monitoramento que controversamente só foram construídas após o desastre, e que, também, no caso do levantamento do Dique S4, continuam a invadir e violar os direitos das pessoas moradoras da região. Assim, entendemos que a Samarco, mesmo que não esteja em operação, continua a explorar e comprometer territórios. Veja o medo das pessoas que vivem na zona de risco e que temem o rompimento de Germano. Vejam o medo que temos em relação ao que ainda resta de Fundão. Vejam o nosso medo.

De todas as perguntas que não conseguiram nos responder, ou não nos convenceram da resposta, aquelas relacionadas à comunicação de riscos no município ainda são as mais inquietantes. Se há dois anos nos perguntávamos onde estavam as sirenes, que poderiam ter salvado as 19 vidas, hoje nos questionamos de quem é a responsabilidade em alertar as pessoas que uma barragem está construída sob suas cabeças. Mais ainda, quais os direitos delas se após essa comunicação a vontade for de não permanecer neste território? Ou o contrário, de ficar com garantias de segurança? Quem assegura isso?

O caderno voltou mais cheio de perguntas, mas também abarrotado de constatações. Se Germano é grande, o sistema que gere a exploração de minérios e que controla essas empresas que mudaram a história do Brasil é ainda muito maior.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column width=”1/3″][ultimate_fancytext fancytext_suffix=”Genival Pascoal, morador de Bento Rodrigues em relação a construção do Dique S4 ” strings_textspeed=”35″ strings_backspeed=”0″ fancytext_strings=”Eram só ruínas, mas tinha sentimento” strings_font_family=”font_family:Playfair Display|font_call:Playfair+Display|variant:700italic” strings_font_style=”font-style:italic;font-weight:700;” strings_font_size=”desktop:26px;” fancytext_color=”#c81524″ prefsuf_font_family=”font_family:Playfair Display SC|font_call:Playfair+Display+SC”][/vc_column][/vc_row]