Papo de Cumadres: Gaia chora suas dores

Correnteza do rio e mata na margem

Consebida e Clemilda estão entendendo que toda esta tragédia que se abateu sobre Minas Gerais e Bahia é Gaia chorando de dor.

Por Sérgio Papagaio

– Cumadre Clemilda, minha fia, mais uma vez Gaia está a mostrá com estas catástrofe que num é naturá, pois tem mão dus home sempre neste mingá.

– a cumadre quer mi falá que esta chuvaiada num é obra da natureza, e fala dum geitu mostranu tanta celteza.

– dexa eu falá procê intendê, quandu us home colta as árvores de um grande lugá sem outras árvores plantá ele mexe na natureza fazendu ela se desequilibrá.

– intonsse essas grande plantação que nós viu pro ladu de lá quadu nois foi viaja, que ês chama de monocultura, u trem é tão grande que as vista um consegue incheugá, é pra tratá du povo, mas faz a terra fome passá.

– e essas mineradora que fura u chão pamode minerá, tira u suspiru de Gaia, fazendu a pobre chorá, constrói barragem gigante deixanu elas estorá, matanu u cerebru da terra, trapaianu ela pensa. Com issu Gaia indoidece e é nois, us que são sempre atingidus, que outra vez padece.