Papo de Cumadres: Dia das mães

Close de mãos de mulher negra com unhas pintadas de azul cruzadas sobre saia roxa.

Consebida e Clemilda estão felizes, e um tanto quanto tristes, com a proximidade do dia das mães.

– Cumadre, eu ficu aqui pensandu comigu mesma, sô muitu grata pelus fius que Deus me deu, issu me traz muita aligria com a chegada do dia das mães, ave Maria, mas num cantu du meu peitu corre lágrima a riviria, olha que aligria duida sabê que meus fius vem passá u dia comigu, mas pru outru ladu, num tenhu mais minha mãe, que pudia tá aqui viva, se num fosse a mardita lama que tirô ela de casa, nunca mais teve aligria, até parti desta agunia.

– Eu sei issu tudu que ocê tá sintinu, minha mãe foi morá com o Divino quandu eu tinha 9 anos, dexanu meu irmão Justinu com poucu mais de 3 anos, ainda mininu, eu cumade, oia que vida sufrida, daque mininu virei mãe, antes mesmu de acabá de cê fia, foi Maria, sua mãe, minha dindinha, que eu adotei como minha manhinha, eu num tive fiu, mas fui mãe de ocê, de Justinu e de fihinha, quandu ocês duas nasceram, a vida sufrida já tinha feitu dus meus quinze ano uma muiê vivida.

– Cumadre, issu lá é veldade, ocê sempre ajudou mainha a cuida lá da turminha.

– Cumadre, eu além de cê mãe de ocês, eu fui mãe daquela nossa terrinha que eu sempre cuidei como se fosse minha filinha, cuidei dus bichu, das vaca, das galinha, dus porcu e da cachora bolinha, agente oia pra trás e vê tudu debaixo da lama, nesse dia das mãe é um presente marditu que agente ganha.

– Agora a pocu fiquei sabenu, lá na igreja du Geteira veiu, onde nós tudu foi batizadu, já tinha caidu a torre, agora acabô de cai u teiadu, e a nossa mãe, Nossa Senhora da Conceição padrueira daque mansão, e todus us santus, coitadus, também tão tudu disabrigadu.

– Dispois daquele rompimentu du diabu, a cada dia das mãe a Samaucu e a renova sempre nus dá um presente macabru.