Descobrindo-se atingido(a) cinco anos depois

Os(as) moradores(as) da comunidade de Taboões, distrito de Barra Longa, descobriram ser atingidos(as) cinco anos após o rompimento da barragem de Fundão. O vilarejo de Taboões, é localizado a aproximadamente oito quilômetros das margens do rio Gualaxo do Norte, por onde escoou a lama de rejeito da barragem de Fundão, de propriedade da Samarco/Vale/BHP Billiton do Brasil.

Por Ednaldo Morreira dos Santos e Fabiana Alexandra da Silva Ferreira
Com apoio de Sérgio Papagaio

Foto: Sérgio Papagaio

 Quando houve o rompimento, a estrada de acesso ao Gesteira ficou interditada pelo acúmulo de rejeito em seu eixo, usaram portanto a  estrada que passava por Taboões. Os caminhões passavam com máquinas para limpar a estrada, os caminhões da 3T passaram com pedras para por nas margens do rio. Com tanto movimento de caminhões pesados, a ponte no terreno de Marco Mol não aguentou o peso e foi interditada. As nossas casas que não foram construídas para aguentar este tipo de caminhão pesado, apresentaram várias rachaduras,  chegou até pousar helicóptero aqui no campo para socorrer o Gesteira.

Ednaldo Morreira dos Santos, morador de Taboões

Foto: Sérgio Papagaio

    No começo, quando os caminhões começaram a passar aqui, nós achamos normal. Depois as casas começaram a trincar. Procuramos saber e descobrimos que também fomos atingidos. Parei de estudar porque a estrada ficou interditada. Estava fazendo EJA [Educação de Jovens e Adultos] e parei no segundo ano do segundo grau. O pessoal foi desistindo, o ônibus não passava na estrada para Barra Longa, que estava cheia de rejeito, todo mundo foi desistindo não tinha como ir à escola. Com isso não voltei a estudar até hoje. Ficamos uma semana sem luz, a lama derrubou os postes que traziam a energia para cá. Os tanques de resfriamento de leite não funcionavam, perdeu muito leite. As coisas da geladeira perdemos tudo. Não dava para ir em Barra Longa receber e fazer compras, passamos falta de muitas coisas. A falta de energia deixou a gente sem telefone, sem água, sem um monte de coisas que tínhamos que buscar fora ou conservar em geladeira.     

   Fabiana Alexandra da Silva Ferreira, moradora de Taboões