A Praça dos meus sonhos

Banco de praça tomado por lama no chão.

A avalanche de rejeitos oriunda da barragem da Samarco, que rompeu em 5 de novembro de 2015, destruiu igrejas, casas, pontes, plantações, sonhos, sentimentos e, em meio a todos os destroços, a praça de Barra Longa não escapou a este crime anunciado.

A pracinha, como sempre foi chamada, era o cartão postal da cidade de Barra Longa. Construída às margens do majestoso rio Carmo, foi berço de vários casamentos e palco de paqueras, namoros e amores que constituíram famílias.

Sua construção data de 1970 e recebera o nome de Praça Manoel Lino Mol. Por 45 anos, a praça serviu de abrigo para os casos ali contados sob a sombra das árvores e sobre os bancos que sempre ofereceram descanso e conforto. Quantas histórias verdadeiras, ou não, nasceram ou foram contadas em seu aconchego. 

Mas, na madrugada do dia 6 de novembro de 2015, o monstro de rejeito que escapou da prisão de Fundão fez da nossa pracinha mais uma vítima de seus inúmeros crimes. Atingida pela avalanche de lama, a praça se torna um depósito de rejeito. 

Um ano depois, a praça passa por uma reforma ou, melhor dizendo, uma maquiagem, pois tudo o que foi construído na praça sem a participação das pessoas atingidas segue o padrão Renova de reparação. A prova é tanta que, na primeira cheia do rio Carmo, no final de 2021 e no início de 2022, a praça recebeu mais uma grande quantidade de rejeitos que estava depositado às margens dos rios Carmo e Gualaxo do Norte. Destruiu o piso que a Renova havia construído há cinco anos, provando, mais uma vez, para que a Renova foi instituída. Em Barra Longa, a barragem está se rompendo até hoje.

Por Sérgio Papagaio