Revida Mariana exige total reparação e denuncia crimes

Pessoas atingidas pelos crimes da Samarco, Vale e BHP em Mariana, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e diversas entidades civis exigem reparação integral e lançam uma campanha de sensibilização da sociedade: Revida Mariana. Elas denunciam que estão excluídas do processo de repactuação do acordo e afirmam que o Poder Executivo e as Instituições de Justiça não dialogam e, muitas vezes, falam em nome das comunidades atingidas sem ouvi-las. 

O lançamento da campanha aconteceu em audiência pública, iniciativa de nosso mandato por meio do requerimento 4.212/2023, em 26 de setembro, na Comissão de Administração Pública da Assembleia Legislativa de Minas, e reuniu mais de mil pessoas. E por que uma campanha é necessária? Para que possamos lutar e assegurar que qualquer repactuação ou reparação tenha participação direta das pessoas atingidas. 

também denunciar o que está acontecendo. Como a gente explica para o mundo que não tem ninguém preso depois do assassinato de 20 pessoas na Bacia do Rio Doce? A síntese é que Samarco, Vale e BHP trazem fome, morte e violação de direitos. Mas não falamos pelas pessoas atingidas; elas sabem de suas dores, problemas e vida. O que nós precisamos é compreender isso, respeitar cada uma e construir condições para que falem ao mundo, ao Parlamento, que é o que estamos fazendo. 

Para Thiago Alves, da coordenação nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), não houve nenhuma escuta das pessoas atingidas. “Ninguém pode falar em nosso nome. Queremos participar desse processo e dialogar com as instituições de Justiça e os governos federal e estadual. O governo Zema nunca se reuniu conosco. Ele é o governador de todos e tem que nos ouvir”, disse. “Nós atingidos e atingidos estamos em luta na campanha Revida Mariana. Justiça para limpar essa lama. Luta, participação e dignidade”, destacou Thiago Alves. 

Usânia Aparecida Gomes, diretora da Central dos Movimentos Populares, falou da esperança com a campanha. “A Revida Mariana é sim pela vida e não para a morte”, ressaltou. A pescadora e coordenadora da Comissão de Atingidos de Governador Valadares, Joelma Teixeira, lembrou que, mesmo depois de 8 anos dos crimes em Mariana, as comunidades impactadas não receberam a devida reparação. “Quantos anos mais até conseguirmos justiça? Quem sente na pele somos nós atingidos. O dinheiro vai para fora do país, nós só ficamos com o lixo”, declarou. 

A propaganda feita pela Fundação Renova, responsável pelo processo de reparação, foi criticada por Cristiane Ribeiro Martins, da Comissão de Atingidos de Barra Longa. Ela lembrou que, na propaganda, “tudo é maravilhoso”, mas, “algumas casas construídas para as pessoas atingidas estão piores do que as originais e estão para cair”. Joyce de Fátima Pereira, do MAB e do projeto Veredas, disse da impunidade da Samarco, Vale e BHP: “O Revida Mariana é a nossa luta contra a impunidade dos crimes da Vale, Samarco/BHP e pela reparação integral.”

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